Álvaro Macedo

Para espairecer com literatura, músicas, dicas…

Hay Hombres que Luchan un Día

Sempre achei que fosse do Che. Tem cara, não tem? Um dia resolvi pesquisar no Pai dos Googles, para conhecer a frase corretamente. Surpresa! Era de um alemão. Bertolt Brecht. Um dramaturgo alemão. Segue o pensamento todo, mais um micro-CV dele (ou nano-CV, porque a coisa é pequena mesmo) e um poema. Tirei tudo do site referenciado, inclusive o poema do Brecht, do caderno Mais, da Folha. Não sou lá aquelas coisas em poemas, mas valorizo quem os consegue fazer e gostei desse.
Ao procurar descobrir porque esse texto do Bertolt aparece em espanhol, descobri mais esse material que achei fantástico, do poeta poeta Rómulo de Carvalho, conhecido pelo pseudónimo de António Gedeão (apenas para esclarecer, não achei o porquê do espanhol; quem souber, favor colocar no comentário):

“Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.”

Esqueci de dizer que esse poemeto me lembrou do Pedro que me disse um dia algo do tipo: cuidado com o dia em que você não acreditar mais nos sonhos. Essa idéia, ele não sabe, tem caminhado comigo ao longo da vida. Inclusive a utilizei um dia em que fiz um culto ecumênico (acreditam?) na formatura de uma turma de computação da UFSCar. Citei que veio de um amigo (e, aliás, compadre). Sempre que penso em sonhos, lembro do Pedro, grande Pedro. Alma ímpar que faz parte de minhas felizes relações.

Agora vamos ao Bertolt.
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http://www.releituras.com/bbrecht_menu.asp
acessada em 11.11.2006
Bertolt Brecht

“Hay hombres que luchan um dia y son buenos. Hay otros que luchan un año y son mejores. Hay quienes que luchan muchos años y son mui buenos. Pero hay los que luchan toda la vida, Esses son los indispensables.” (Bertolt Brecht)
Também conhecia, no lugar de “indispensables”, o “imprescindibiles“. Acho que esse é o mais correto. Vi alguns sites citarem essa forma.

Bertolt Brecht nasceu em Augsburg, Alemanha, em 1898. Em 1917 inicia o curso de medicina em Munique, mas logo é convocado pelo exército, indo trabalhar como enfermeiro em um hospital militar. Aquele que iria se tornar uma das mais importantes figuras do teatro do século XX, começa a escrever seus primeiros poemas e cedo se rebela contra os “falsos padrões” da arte e da vida burguesa, corroídas pela Primeira Guerra. Tal atitude se reflete já na sua primeira peça, o drama expressionista “Baal”, de 1918. Colabora com os diretores Max Reinhardt e Erwin Piscator. Recebe, no fim dos anos 20, instruções marxistas do filósofo Karl Korsch. Em 1928, faz com Kurt Weill a “Ópera dos Três Vinténs”. Com a ascensão de Hitler, deixa o país em 1933, e exila-se em países como a Dinamarca e Estados Unidos da América, onde sobrevive à custa de trabalhos para Hollywood. Faz da crítica ao nazismo e à guerra tema de obras como “Mãe coragem e seus filhos” (1939). Vítima da patrulha macartista, parte em 1947 para a Suíça — onde redige o “Pequeno Organon”, suma de sua teoria teatral. Volta à Alemanha em 1948, onde funda, no ano seguinte, a companhia Berliner Ensemble. Morre em Berlim, em 1956.

Aos que vierem depois de nós
Bertolt Brecht(Tradução de Manuel Bandeira)Realmente, vivemos muito sombrios!
A inocência é loucura.
Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.

 

Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?

É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem
(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: “Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!”

Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.

Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.

Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles. Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.

Íamos, com efeito,
mudando mais freqüentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.

E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade
não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós
com indulgência.

O poema acima foi extraído do caderno “Mais!”, jornal Folha de São Paulo – São Paulo (SP), edição de 07/07/2002, tendo sido traduzido pelo grande poeta brasileiro Manuel Bandeira.

domingo, 23.novembro.2008 - Publicado por | Literatura

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